Autoridades confirmam recebimento de carta escrita por jovem inocentando padre de Pitimbu

O delegado Luciano Cavalcante, da Polícia Civil em Pitimbu, confirmou
que recebeu a carta escrita pelo jovem que há mais de um ano denunciou o
padre de Pitimbu Jaildo Souto por crime de pedofilia, em poucas linhas
escritas de próprio punho, o rapaz de 22 anos pede perdão e nega as
acusações contra religioso, a carta também foi lida no sábado (17), no
salão paroquial da Igreja de Acaú, na presença do Arcebispo da Paraíba,
Dom Aldo Pagotto e da comunidade católica local.
Segundo o delegado, a carta foi enviada ao Ministério Público da
Paraíba (MPPB) para que o material seja analisado e seja emitido um
parecer sobre o caso.
“Recebemos uma cópia da carta através de um amigo do jovem que
acusava o padre. O documento oficial, escrito pelo jovem, não nos foi
apresentado. O amigo relata que o jovem tomou a decisão de contar a
verdade já que estaria arrependido. Enviamos os papéis para o Ministério
Público e estamos aguardando um posicionamento para dar prosseguimento
ao caso”, disse o delegado.
Ainda segundo o delegado, deverá também ser apurado quem foram as
pessoas que coagiram o jovem a fazer as denúncias contra o padre.
“O rapaz não colocou em depoimento, mas disse na carta que políticos e
outras pessoas estariam envolvidos, já que o padre tinha atuação dentro
da comunidade e essas pessoas que teriam motivado a falsa denúncia
estariam interessadas em afastar o padre de Pitimbu para “facilitar “o
acesso com a população”, contou o delegado.
Veja um trecho da carta:
“Fui motivado por políticos e advogados, que mim
(sic) prometeram muito dinheiro. Não houve nada entre a gente (ele e o
padre)”, contou o jovem em um dos trechos da carta.
Em outra parte da carta, o jovem pede perdão ao padre pelo sofrimento causado e se desculpa com outras pessoas.
“Eu sei que o caso trouxe sofrimento demais na vida do padre Jaildo e
das pessoas próximas dele, do mesmo jeito acontece na minha vida, por
isso peço perdão a todos que fiz sofrer”, afirmou o jovem.
Igreja vai aguardar conclusão do processo
Em contato com a assessoria de imprensa da Arquidiocese da Paraíba, o
Portal Correio foi informado que a posição da Igreja é de aguardar a
conclusão do processo no MPPB e na Polícia Civil para ver o que vai
acontecer com o padre Jaildo.
Ainda segundo a assessoria, caso o padre volte a receber autorização
para atuar, poderá não fazer mais parte da comunidade religiosa em
Pitimbu.
“Desde que surgiram as denúncias o referido padre foi afastados das
funções eclesiais, até para facilitar o processo de defesa dele. É isso
que continua no momento, ele ainda segue afastado das funções até que o
processo acabe. Vamos aguardar as análises internas, da Igreja, e do
MPPB. Mesmo tendo de volta as funções, o padre poderá não retornar para
Pitimbu e exercer a função em outra localidade”, disse a assessoria da
Arquidiocese.
Advogada do padre relata depressão
Laura Almeida, advogada do padre Jaildo, relatou ao Portal Correio
que o religioso passa por momentos difíceis desde que foi acusado pelo
jovem e afastado da Igreja.
“Sempre vínhamos alegando que ele não tinha envolvimento com o jovem e
o fato era baseado em perseguição política, pelo fato do padre sempre
estar envolvido com a comunidade da região. O fato foi inventado e
atribuído falsamente ao padre. O padre teve a imagem destruída pela
falsa acusação e passou por momentos difíceis, com uma depressão
profunda e em tratamento”, contou Laura.
Para a advogada, a inocência do padre vai ser comprovada e ele se
sente esperançoso de poder voltar à comunidade, celebrando missas e
trabalhando junto aos jovens.
“O padre está na Paraíba. Ele se dispõem a voltar na delegacia e
encerrar o caso. O sonho dele é de poder retornar para Pitimbu e retomar
a celebração de missas, o trabalho voltado para a comunidade e aos
jovens. Ele quer voltar para o local onde foi tão bem acolhido, mas
injustamente afastado”, concluiu a advogada.
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